quinta-feira, 28 de outubro de 2010

End.

Hoje eu acordei e decidi usar o pouco de dignidade que me restava. Tive uma manhã comum como todas as outras, de repente eu recebo uma pessoa que trás em suas mãos um documento o qual dizia: O senhor terá que comparecer no local tal a hora tal. Um pouco desconfiado fiz o que me mandaram. Enfim, fiquei de frente para um homem de estatura pequena com roupas escuras e um sorriso fechado, do seu lado esquerdo uma mulher morena de cara fechada também, não falou uma palavra sequer e por fim do lado direito do pequeno homem tinha uma mulher loira, alta, cabelos encaracolados e um sorriso atraente. Ela era o ser mais falante da sala e nesse tempo preso com estas pessoas estranhas na sala gelada com vista para a avenida eu pude notar muitas coisas, coisas cotidianas as quais ninguem mais da valor ou significado, enfim lá estava eu, diante de 3 pessoas que eu não sabia se queriam o meu bem ou o meu mau. Sentei-me em uma cadeira confortável que as vezes balançava devido ao meu nervosismo, eu batia os dentes de tanto pensar: O que eles vão me perguntar? Porque eles chamaram a mim? Passados alguns segundos o pequeno homem falou: Juliano é isso? Eu disse que sim e de repente as duas mulheres olharam fundo nos meus olhos e para não demonstrar fraqueza eu as olhei por um instante e isso as deixou irritadas porque durante anos interrogando pessoas nunca ninguem havia as incarado. Mas o que interessa essa história? Nada eu só queria um ponto de partida e usei essas pessoas, e deu certo, aquelas pessoas estavam exercendo seu trabalho nada que eu disse ou fiz era novidade para eles. Ao final da conversa os três sorriram para mim eu achei interessante, eles me desejaram boa sorte na vida e ficaram lá sentados e é lá que eles vão ficar até o fim de suas vidas porque é isso que eles escolheram fazer. Mas aonde foi parar meu resto de dignidade? Ao sair desse local gélido eu recebi uma ligação a qual por um instante me paralisou e eu pensei em gritar no telefone: Tudo que eu construi se perdeu a alguns minutos, tudo que eu tinha de mais valioso se perdera nos confins de algum surto meu. Por um instante eu desejei o mau de todos sem exitar, eu queria que tudo se acabasse ali naquele momento mas não foi a vontade dele. Ele está em débito comigo por ter levado todos os meus bons atributos e ter me deixado só o bom senso. E para que eu vou precisar de bom senso? Para acabar com todos os meus demônios interiores um a um, para sorrir para a morte na hora da minha partida, bom senso para amenizar a dor dos outros e aumentar a minha.

Nenhum comentário:

Postar um comentário